Posts Tagged ‘Raimundos’

h1

(Renov)AÇÃO Pop Rock

domingo, 15 março, 2009

popNo final da década de 1970 surgiram diversas bandas para o mercado fonográfico. A maioria dessas bandas podem até não ter agradado em cheio a crítica “especializada” (especializada?), mas conseguiram movimentar e crescer o segmento no país. O Pop Rock nacional tinha cara, um formato muito bem definido, uma identidade, e deixou muita saudade. Já na década de 1990, quando alguns ícones do Pop Rock nacional deixaram compor músicas novas, outras bandas conseguiram dar seqüência ao pop.

É natural que algumas bandas como Biquíni Cavadão, Ira!, RPM, Titãs e Nenhum de Nós, deixariam de compor a todo vapor e viveriam dos seus famosos e tradicionais hits. Isso não quer dizer que eles não criariam algo novo, pelo contrário. Mas isso foi substituído gradativamente por outras bandas que assumiram o segmento. Os novos heróis do rock foram se formando, como é o caso do Skank, Engenheiros do Havaii, Jota Quest, Raimundos, Charlie Brown Jr., O Rappa, Pato Fu, dentre outras poucas por aí. A transição do pop nacional da década de 1980 para 1990 foi muito natural, sem muito impacto. Em compensação, atualmente esta transição praticamente não existe. É óbvio que outras bandas surgiram, que novos sucessos foram lançados, mas nada muito concreto, marcante. Grande parte destas bandas saíram dos “fornos”, ou melhor, das garagens, e encontram um público carente de novidade, que vibra ao surgirem músicas melosos, que grudam em nós via rádio e TV.

Algumas bandas até conseguiram deixar uma marca mais interessante, como é o caso de Los Hermanos que, para os poucos que conheceram o algo além de Anna Júlia, foi visível a qualidade musical de Marcelo Câmelo, Rodrigo Amarante e o demais músicos da banda. Diga-se de passagem: sou fã número 1 e, por muito tempo, Los Hermanos completou a minha ânsia de boas músicas do cenário nacional. Em compensação a banda não existe mais. Está parada.

O que restou??? De pop nacional apenas as melosas letras do NX0, CPM22 (são marcas de celular???), Fresno, Cachorro Grande, Hateen, e outras muitas por aí. As identidades destas bandas são quase as mesmas, nada de novo. Parece que cada banda entrou em uma casa de construção e pediu uma “laje pré-moldada”, ou melhor, entrou dentro do carro do papai, comprou uma guitarra Gibson de última geração, uma bateria Fender cheia de peças, e adquiriram uma “banda pré-moldada”.

Isso sem contar do mais importante, compraram uma atitude de “maluco beleza” – como se existisse outro Maluco Beleza, e vivem por aí, balançando a cabeça “cheios” de ritmo e “muitíssimo” conteúdo. O mais engraçado é que esta evolução praticamente não existe. Essas bandas não conseguem definir uma cara para o pop nacional. O que fazer quando nada de novo é lançado? Se essa crise existe, se é que podemos classificar como crise, teria solução e salvação para o pop nacional?

Enquanto isso, ritmos como o Sertanejo vem conquistando ainda mais adeptos, enchendo as casas de show, arrastando uma legião de fãs. É Vitor e Léo para lá, César Menotti e Fabiano para cá, Édson e Hudson, os bons e velhos Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó, Leonardo, Daniel e outros mais. No Sertanejo essa renovação é mais que visível. No Pop Rock, infelizmente, não existe renovação nenhuma.

Isso é lamentável. Fico feliz ao ver o Sertanejo crescer, mas queria que o Pop Rock crescesse em escala geométrica. Em contrapartida o que parece que vem crescendo em escala geométrica são as tchutchucas, créus, tigrões, etc, etc, etc… Teria o Pop Rock saído “desta para uma melhor”? Ou será que o Pop Rock está “apenas subindo no telhado”? E aí, amigo leitor, é certo que o nosso atual pop rock não vale Nem R$1,99! O Pop Rock nacional precisa resgatar a boa e velha identidade.

Forte abraço,

Luiz Augusto Reis Almeida

Anúncios
h1

Recordar é viver: Raimundos

sexta-feira, 25 julho, 2008

Já era madrugada de segunda-feira quando meu amigo Gabriel Sadoco e eu voltávamos da cidade de Três Pontas, cidade vizinha de Três Corações, quando começamos a relembrar uma banda que fez muito sucesso na década de 1990, o Raimundos. Abaixamos o som do carro para cantar uma música muito louca, que agora é tema do “Recordar é viver”.

Formada em 1987 em Brasília, o Raimundos tinha como estilo predominante o hardcore punk e sua maior influência foi o Ramones, inclusive a banda passou por um bom tempo como cover dos Ramones. O guitarrista e vocalista Rodolfo Abrantes, e o baterista Digão, começaram a escrever as primeiras histórias da banda, e convidaram o baixista Canisso para integrar a grupo. Com os problemas auditivos apresentados por Digão, a banda convidou Fred para ser mais um integrante do Raimundos, enquanto o ex-baterista assumiu a guitarra.

Em 1992 a banda gravou uma fita demo contendo as músicas Nega Jurema, Marujo, Palhas do Coqueiro e Sanidade. Iniciava aí o sucesso dos Raimundos, que aos poucos começaram a tocar no Rio de Janeiro, abrindo diversos shows, como os do Camisa de Vênus, Ratos de Porão e Titãs, até serem reconhecidos pela mídia. Em 1994, Rodolfo e seus companheiros lançaram seu primeiro disco que recebeu o mesmo nome da banda.

O álbum, que continha letras carregadas de palavrões em caráter cômico e regada a influencia nordestina, teve uma boa aceitação e vendeu cerca de 150 mil cópias. Músicas como Puteiro em João Pessoa, Nega Jurema e Marujo foram bastante executadas. Em compensação, o grande sucesso do disco foi uma música um tanto quanto “pornográfica” intitulado como Selim. A grande consagração da banda aconteceu em 1995, com o disco “Lavô Tá Novo”. O grupo deixou de lado o estilo nordestino, manteve as letras carregadas de palavrões, e conquistou muito sucesso. Músicas como “Eu quero ver o oco”, “Esporrei Na Manivela”, “Pitando No Kombão”, “O Pão da Minha Prima” e “I Saw You Saying”, garantiram o sucesso da banda e a consolidação no cenário nacional. Logo após a banda aumentou ainda mais o sucesso com o disco “Cesta Básica”.

Em 1997 o Raimundos gravou em Los Angeles o disco “Lapada do Povo”. No disco, o grupo deixou de lado o estilo engraçado para investir em músicas de maior peso e mais sérias. Entre as músicas do disco que “salvaram”, destaque para a regravação de “Oliver´s Army”, de Elvis Costello, e uma versão da “Pequena Raimunda”, dos Ramones. Apesar de não ter feito tanto sucesso, o disco foi considerado como bom pela crítica especializada.

Se em 1995 havia acontecido a consagração do Raimundos, o auge do sucesso veio em 1999, com o disco “Só no Forevis”. O fato engraçado do disco foi que a primeira tiragem do CD foi roubada e a banda apareceu nas páginas policiais (como vítimas, claro) de diversos jornais. Em compensação o álbum foi o mais vendido e várias música emplacaram nas rádios, na MTV e fizeram muito sucesso, destaque para “A mais Pedida”, “Me lambe” e “Mulher de Fases”.

Em 2001, cansados de entrar em atrito, os integrantes da banda anunciaram o fim dos Raimundos. O principal motivo do término da banda foi a opção religiosa do até então líder do Raimundos, Rodolfo. Dois meses após, Digão, Fred e Canisso retornaram com a banda e lançaram o disco Éramos 4. Após a saída de Rodolfo, que hoje é vocalista do Rodox, a banda não conseguiu alcançar seus objetivos e seus membros foram pouco a pouco deixando a banda.

Atualmente a banda vive no cenário alternativo, fazendo shows de médio porte. A principal aparição do grupo foi no programa “Altas Horas”, em abril deste ano.